Quando seus filhos pedem “Peabody e Sherman”

Drica Lobo

* Por Drica Lobo

Sempre fiquei encantada, na Europa, com a disposição dos pais nos museus, com mapas, mochilas, garrafas de água para ficar quatro horas lá, sentados no chão, pegando blocos de desenho e livros para explicar, explorar e aprender.

Semana passada, uma aventura me lembrou isso. Meus filhos, em pleno Carnaval, me pediram para ver o filme “Peabody e Sherman. Eu, contrariada, resolvi aceitar… como sempre eles aceitam meus programas, acabei indo e levando meus pequenos. Quando estava lá pensei que não podia ser tudo perdido, afinal estávamos todos juntos!

O filme começou e percebi que por trás daquela relação do cão que resolve adotar um menino, tinha fundo pedagógico. Se todo garoto pode adotar um cão, afinal porque um cão não pode adotar um menino?

Ainda mais um cão inteligente, que viaja numa máquina do tempo pelos fatos da história.

Lembrei de “Reinações de Narizinho” e de quando li a primeira vez “A História da Riqueza do Homem” que me fez ver a História com outros olhos e gostar dela mais do que de qualquer outra matéria na escola. Certos livros e filmes têm códigos, ampliam nosso repertório e nos despertam o interesse para aproveitar mais e melhor.

E resolvi aproveitar toda essa história para ideias e coisas incríveis para brincar depois do filme!

Brincar de fazer uma lista das crianças e das frases que fazem nossos filhos se sentir culpados por serem mais inteligentes e que pegam no pé deles na escola.

Brincar de maquiagem, com pasta de assadura no rosto e batom vermelho. Colocar o vestido da mãe e brincar de Maria Antonieta e o que eles fariam para salvar a França da pobreza.

Brincar de danças egípcias, ou de múmias, ou de técnicas de irrigação egípcia no nosso jardim.

Passear na estante de casa e achar os livros que mostram os países e suas histórias, com fotos dos locais falados no filme, ou pesquisar na internet o assunto que nosso filho mais gostou.

“Virar” Peabody e brincar de ensinar alguma história para seu filho: Na volta do cinema, dá para inventar que seu carro é uma máquina do tempo que pode te transportar a qualquer lugar, em qualquer tempo.

Afinal, o pior dos micos tem algo a nos ensinar e pode até ser divertido mas, o melhor mesmo, é o olhar do filho no final de tudo… e vê-lo sorrindo porque aprendemos juntos.

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* Drica Lobo é mãe e fotógrafa, idealizadora do Projeto Jardins da Infância, um guia singular para um tipo especial de educação.