Quem espera sempre alcança

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Vivian Wrona Vainzof

Estamos à espera de um Brasil melhor. Um dito nos prometeu alcançar, bastasse esperar. E que outro jeito? Se alcança mesmo, não sei, mas sei que cansa. E quem já cansou de esperar, tá carente de paciência ou de esperança?

A espera está escassa, quem aguenta? Já tem gente querendo tirar as barbas do molho…

A espera hoje é mal vista, é preguiça, ineficiência. Mas se só ela pode ventar o que ninguém ainda soprou, e dar brecha para passar o que ninguém ainda tentou, não seria urgente esperar? Dose extra para todo mundo, de paciência e de esperança!

Tenho dito a meus filhos que criem momentos vazios. Que descubram do que gostam e ainda não sabem, que experimentem sem medo de errar, que possam saber sem querer acertar. Que deixem fluir o que ainda não sabem que sentem. “Cuidado com os vazios de uma vida ocupada demais!”, como li tantas vezes em lugares que já não lembro. Mas “cérebro vazio, casa do diabo”, não era assim que diziam

Entre um ou outro, o copo meio cheio ou meio vazio, o meio termo. Ele, sempre ele…

Se o meio cheio traz a positividade e o otimismo, o outro ponto de vista traz a possibilidade. A completude é fim enquanto a falta é oportunidade.

Tive que fazer um exame longo, estou tentando salvar a lombar que nunca se recuperou de duas gestações. Me ofereceram uns óculos de realidade virtual, para que o tempo passasse mais rápido. Eu quase caí nessa, mas percebi, num estalo, que eu não quero que o tempo passe tão rápido, que eu não possa escutar o que eu penso, não possa fazer um passeio por dentro. Foram noventa minutos de mim mesma. De silêncio que se fez depois que o som violento da máquina foi virando um mantra e foi se afastando, ficando longe, longe. Só eu e Renato Russo, que entrou comigo naquela coisa enorme e barulhenta, mas que também deixei de ouvir, porque no fim só tinha eu.

Foi uma inesperada manhã em boa companhia.
Como diz o Karnal: “é preciso ter esperança”.