Um Dia das Mães como os comerciais da televisão

Isabel Coutinho

Depois que me tornei mãe, sempre me vi um tanto irritada quando leio depoimentos na mídia de mulheres que relatam que a maternidade foi algo que as completou e tornou a vida delas ainda mais feliz. De forma alguma, nego o poder transformador que a maternidade traz para a vida de uma mulher, nem que ela, de fato, nos faz vivenciar sensações únicas e extremamente prazerosas. Só fico incomodada quando apenas esse aspecto é apresentado, contribuindo para que todas nós, mulheres, criemos uma visão extremamente idealizada da maternidade. O mais engraçado, no entanto, foi que, no Dia das Mães do ano passado, vivi cenas tão gostosas ao lado de meus filhos que fizeram me sentir de forma parecida a essas artistas bonitas que dão entrevistas nas revistas e na TV. E fiquei pensando o quanto não sou, muitas vezes, radical nas minhas criticas quanto àquilo que é exposto neste dia.

Depois que recebi abraços apertados e deliciosos de meus filhos, ainda com carinha de sono em seus pijaminhas, meu marido me abraçou e falou, olhando para eles: vocês têm que me agradecer, porque fui eu que escolhi essa mãe legal para vocês!” (trecho da Crônica “Sentimentalismos de uma mãe em construção”, do livro MÃE EM CONSTRUÇÃO: reflexões, angústias, desafios, Dash Editora).

Essa pequena fala, junto com os abraços sonolentos de meus pequenos, encheram meu coração de ternura. Me senti amada, feliz, realizada. Por mais óbvio e clichê que isso possa parecer. Diante disso, pensei em desejar para as leitoras do bora.ai, um mês das mães parecido àqueles mostrados pela televisão: cheio de muitos abraços e muito carinho. E que todas nós possamos, de alguma maneira, experimentar essa deliciosa sensação de ser amada…​

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* Isabel Coutinho é psicóloga, mãe de 2 filhos e autora do livro MÃE EM CONSTRUÇÃO: reflexões, angústias, desafios. Dash Editora.