Estação_da_Luz_Foto GeraldoDeBarros_IMS Reproducao Joao Luiz Musa/Itaú Cultural

Exposição Geraldo de Barros no Itaú Cultural

Itaú Cultural

já aconteceu

​O Itaú Cultural inaugurou uma nova exposição que revela o artista Geraldo de Barros, em cartaz até 7 de novembro (leia no final do texto todos os detalhes).

Como a exposição não é pensada diretamente para o público “infantil”, conversei com o Vitor Narumi (VN), educador do Itaú Cultural, para saber como direcionar um pouco o olhar dos pequenos, despertar o interesse e tirar o melhor da exposição do Geraldo de Barros para as crianças. Confira!

Qual a idade recomendada para a exposição?

VN: Não há restrição de faixa etária para acessar a exposição. As obras apresentam formas, cores e imagens que podem despertar o interesse. Os objetos presentes na mostra também podem gerar debates interessantes sobre mobiliários.

Que aspectos da obra do Geraldo costumam despertar o interesse das crianças?

VN: Pelo seu apelo visual e multiplicidade de técnicas é considerável o interesse pela exposição como um todo. Se for para elencar o que trará um olhar curioso deste público, consideramos que seriam as pinturas (especialmente dos trabalhos de Pop Arte, como a obra chamada Leão do Anglo-Latino, 1976) e o mobiliário (pela aproximação do cotidiano das crianças em casa, apresentando peças como armários, cadeiras e mesas).

Ao levar os pequenos para a exposição, o que é bacana salientar sobre as obras? Algum aspecto interessante da vida do artista para contar?

VN: Nascido em 1923, na cidade de Chavante, interior de São Paulo, Geraldo foi um artista múltiplo em relação a sua produção artística. Sempre dando vazão ao imaginário e à criatividade. A exposição está em três andares, abrangendo todas as técnicas que o artista trabalhou de pintura, desenho, fotografia, colagem, gravura, design e mobiliário.

Obras:

Em 1947, construiu sua própria câmera para iniciar sua pesquisa na fotografia. Através de seu interesse pela fotografia, acaba realizando experimentações que culminaram nos resultados do acaso. Um exemplo é a série “Fotoformas”, que é o resultado deste processo, na qual Geraldo, realizou interferências diretamente nos negativos das fotos através de desenhos, recortes, pinturas e sobreposições de uma foto. Interessante salientar que as fotografias de Geraldo foram feitas por uma tecnologia anterior às fotografias digitais atuais, no que chamamos de fotografia analógica.

Fabiana de Barros, filha do artista e assistente do pai quando vivo, traz um depoimento de Geraldo ao comprar uma máquina chamada Rolleiflex, pegou o manual e realizou todos os procedimentos não recomendáveis para se conseguir uma boa fotografia. Como o título da exposição apresenta, Geraldo de Barros: Imaginário, construção e memória; a percepção das formas, linhas e cores está na relação de construção desde ao desenho, pintura e no mobiliário presente na exposição Curiosidade: No andar curado por Michel Favre, é apresentado pela primeira vez o acervo familiar reunindo registros, documentos, estudos, entre outros.

Quanto tempo reservar para a visita?

VN: Atualmente a visitação presencial está por ingresso antecipado (gratuito), oferecendo dois formatos, a visita com educador e autônomo, ambos com duração de 50 minutos. Agendamento pelo Sympla, link disponível no site do Itaú Cultural. É possível também agendamentos de visitas online e oficinas com o público geral agendado pelo site do Itaú Cultural pelo programa de Experiência Virtual no mês de Agosto e Setembro.

Você recomenda mostrar algum material antes da visita?

VN: No youtube do Itaú Cultural estão disponíveis materiais em vídeo com acessibilidade em libras sobre Geraldo.

Alguma atividade sugerida para fazer em casa com as crianças com base no que viram?

VN: Pelo programa de Experiência Virtual Ateliê Livre, todo final de semana de Agosto a Setembro o educativo está com a programação inspirado na exposição de Geraldo. Em agosto focado na fotografia, e setembro em mobiliário e design. Dentro do campo de sugestões, sugerimos o desenho, pintura ou colagem em cima de uma imagem, pode ser uma fotografia, uma revista ou um jornal. Essa proposta visa aproximar o público da técnica usada por Geraldo nas suas fotografias, que fazia intervenções no filme fotográfico, e também nas suas obras de estética Pop, as quais eram criadas através da pintura de imagens já existentes como cartazes e outdoors.

Detalhes da exposição
Com curadoria de Lorenzo Mammi e Michel Favre e apoio da família, a mostra “Geraldo de Barros – imaginário, construção e memória” ocupa os três andares do espaço expositivo da instituição. Com mais de 400 itens da obra e vida do artista, é a primeira vez que uma mostra apresenta o conjunto da obra de Geraldo de Barros acompanhando a criação e produção do artista em cinco décadas de trabalho. Uma linha temporal desvenda o processo criativo e coerente de uma vida de trabalho, cruzando as obras e materiais do ateliê com o arquivo pessoal do artista, entre fotos de família, cartas, citações e objetos.
Os visitantes encontrarão obras em suportes variados, móveis, material inédito de seu arquivo pessoal e quadros pouco vistos como Arizona – arte pop de mais de quase três metros por um e meio. A exposição dividida entre os andares o espaço expositivo do Itaú Cultural permite ao visitante fazer uma leitura imersiva sobre a vida e obra deste artista, possibilitando compreender a coerência entre todas as fases em que atuou: gravura, fotografia, pintura concretista e pop, mobiliário, arte gráfica.

Divisão do Espaço expositivo
Com a curadoria de Mammi, o primeiro andar apresenta os trabalhos do artista a partir das influências de Paul Klee, cuja produção descobriu em 1948, e dos artistas do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, que conheceu em 1949. A condução do trajeto, aqui, é por meio da fotografia, desde os experimentos juvenis até a produção tardia das Sobras, incluindo desenhos, gravuras e pinturas de suas diferentes fases.
Descendo para o primeiro subsolo, a referência é o design mobiliário, sob o signo de Max Bill, um dos mais importantes e influentes designers concretistas do século XX e do século atual, que o artista conheceu em 1951. Ao todo, a exposição apresenta 31 móveis desenhados por Geraldo para a cooperativa Unilabor e a Hobjeto, fundada por ele e Antônio Bioni em 1964.
Com curadoria de Favre, o segundo subsolo procura retratar a carreira entrelaçada à vida de Geraldo de forma cronológica, mas não necessariamente linear. O intuito do curador, aqui, é oferecer uma visão panorâmica de sua produção, de modo a ressaltar as relações entre as práticas e as épocas da vida pessoal e artística dele com uma minuciosa seleção de documentos no arquivo pessoal de Geraldo. Assim, o espaço apresenta um cruzamento de trabalhos audiovisuais, fotos de família, cartas, material de ateliê, técnicas que o artista foi desenvolvendo, como negativos fotográficos e matrizes de gravuras de modo a demonstrar todas as suas fases e desvendar o processo de como trabalhava, explorava e criava.

Sobre o artista
Nascido em Chavantes, no interior de São Paulo em 1923, muito jovem Geraldo de Barros mudou-se com a família para a capital, onde morreria em 1998. Começou a trabalhar aos 14 anos para sustentar os seus estudos e rapidamente seu faro se apurou para a pintura. A partir de 1945, passou a estudar desenho com Clóvis Graciano (1907-1988), Colette Pujol (1913-1999) e   Yoshiya Takaoka (1909-1978). Nunca mais parou. Geraldo tornou-se fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Criou coletivos, como o Grupo Rex e Ruptura. Expoente da fotografia experimental, integrou o Foto Clube Bandeirantes (FCCB), principal núcleo da fotografia moderna brasileira. A sua trajetória perpassa várias formas de expressão visual e reivindica o papel social da arte. Saiba mais sobre ele na Enciclopédia Itaú Cultural.

Leia mais: Programação virtual do Itaú Cultural | bora.aí

Programação fornecida pela produção/estabelecimento e sujeita à alteração. Confirme antes de sair de casa.

Horários
de 11/08/2021 a 07/11/2021
Ter a Dom
das 12h00 às 18h00
Grátis, mediante agendamento onlime
Itaú Cultural
Av Paulista 149
São Paulo, SP
01311-000
Brasil
11 2168 1700
Idade recomendada