Nhe’ẽ Porã Memória e Transformação Divulgação

Exposição “Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação” no Museu da Língua Portuguesa

Museu da Lingua Portuguesa

​A nova exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa “Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação” propõe um mergulho na diversidade das línguas indígenas no Brasil e comprova a importância dos povos originários à construção do patrimônio cultural comum da língua portuguesa.

O nome da exposição que vem da língua Guarani Mbya, composto a partir de duas palavras: Nhe’ẽ significa espírito, sopro, vida, palavra, fala; e porã quer dizer belo, bom. Juntos, os dois vocábulos significam “belas palavras”, “boas palavras” - ou seja, palavras sagradas que dão vida à experiência humana nesta terra.  

Os visitantes podem atravessar a exposição em qualquer ordem e encontrará um rio de palavras grafadas em diversas línguas indígenas, criando um fluxo que conectará as salas em um ciclo contínuo.

Num dos possíveis pontos de partida da mostra, o visitante se depara com uma floresta de línguas indígenas representando a grande diversidade existente hoje no Brasil. Nessa floresta, o público poderá conhecer a sonoridade de várias delas. 

No espaço “Língua é Memória” conhecemos históricos de contato, violência e conflito decorrentes da invasão dos territórios indígenas desde o século 16 até a contemporaneidade. Neste ambiente, outras histórias serão contadas por meio de objetos arqueológicos, obras de artistas indígenas, registros documentais, mapas e conteúdos audiovisuais e multimídia.

O ambiente apresenta também outras formas de comunicação entre os povos indígenas, como o monumental trocano—um tambor feito a partir de uma tora única e cedido pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP - que a curadora Daiara Tukano descreve como “o WhatsApp de antigamente”. Este instrumento pertence aos povos do Alto Rio Negro, e na exposição será acompanhado por outros objetos cerimoniais originários da mesma região, onde nasceu o pai da curadora. Devido às proibições de práticas rituais e à violência decorrentes da presença missionária salesiana no Alto Rio Negro, as línguas e culturas desses povos foram afetadas enormemente.

Em um jogo de contrapontos, esta sala exibe também uma palmatória utilizada em escolas religiosas para castigar crianças indígenas que insistissem em falar suas línguas em vez do português. A peça é feita de Pau-Brasil, árvore considerada símbolo nacional, e que dá nome ao País.  

Na sala “Palavra tem poder”, o público conhecerá a pluralidade das ações e criações indígenas contemporâneas a partir de seu protagonismo em diferentes espaços da sociedade, a exemplo de sua atuação no ensino, na pesquisa e nas linguagens artísticas.

Ao acompanhar o percurso do rio, os visitantes alcançam um quarto ambiente, noturno, uma atmosfera onírica introspectiva que permite o contato com a força presente nos cantos de mestres e mestras das belas palavras. O rio que percorria o chão da exposição, agora sobe a parede como uma grande cobra até se transformar em nuvens de palavras—preparando a chuva que voltará a correr sobre o próprio rio, dando continuidade ao ciclo. 

Contando com a participação de cerca de 50 profissionais indígenas - entre cineastas, pesquisadores, influenciadores digitais e artistas visuais como Paulo Desana, Denilson Baniwa e Jaider Eisbell - a mostra tem curadoria de Daiara Tukano, artista, ativista, educadora e comunicadora indígena; consultoria especial de Luciana Storto, linguista especialista no estudo de línguas indígenas; e coordenação de pesquisa e assistência curatorial da antropóloga Majoí Gongora, em diálogo com a curadora especial do Museu da Língua Portuguesa, Isa Grinspum Ferraz.   A abertura da exposição marca, no Brasil, o lançamento da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032), instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenada pela UNESCO em todo o mundo.

Programe-se

Exposição temporária Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação

  • Acesso pelo Portão A  
  • De terça a domingo, das 9h às 16h30 (permanência até 18h)
  • De 12 de outubro de 2022 a 23 de abril de 2023
  • R$20 (inteira), grátis para crianças até 7 anos e aos sábados  

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Programação fornecida pela produção/estabelecimento e sujeita à alteração. Confirme antes de sair de casa.

Horários
de 12/10/2022 a 23/04/2023
Ter a Dom
Grátis aos sábados
Museu da Lingua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº
São Paulo, SP
Brasil
abrir no GoogleMaps 11 3322 0080
Idade recomendada
de 2 a 5 anos
de 5 a 9 anos
de 9 a 13 anos